Uma rede global de canais no YouTube usa inteligência artificial para criar médicos falsos e viralizar entre idosos no Brasil. Os vídeos já acumulam mais de 70 milhões de visualizações e exploram o medo de doenças para prender a atenção.

Como funciona a operação

A CTRL+Z identificou 29 canais em português que postam cerca de 10 vídeos por dia. Eles geram 267 mil visualizações diárias em média e somaram 10 milhões de views só no último mês.

Os criadores usam IA para gerar rosto, voz e roteiros com ferramentas como o ChatGPT. O conteúdo mistura conselhos de saúde com alarmismo para incentivar cliques e tempo de tela.

Alvo principal: idosos

Idosos formam o público mais atingido. Celi Ferreira, de 82 anos, comentou em um vídeo sobre frutas para visão achando que o médico era real. Muitos mudam hábitos ou compram produtos após assistir.

Os vídeos vendem e-books, cursos e suplementos. O medo de doenças vira máquina de audiência e monetização no YouTube.

Resposta das plataformas

Após contato da BBC, o Google removeu canais que somavam 41 milhões de visualizações. A operação continua em escala industrial impulsionada por algoritmos.

Riscos para a saúde pública

Especialistas do CFM e pesquisadores da FGV, como Thiago Bottino e Filipe Medon, alertam para crimes de falsa identidade e exercício ilegal da medicina. A desinformação pode levar a decisões erradas sobre tratamento.

Desafios para o jornalismo

Reportagens como esta mostram como a IA pode ser usada tanto para criar conteúdo útil quanto para espalhar golpes. No ScalePress, usamos a mesma tecnologia para gerar pautas e estruturar notícias reais com verificação de fontes, mantendo o foco em qualidade e transparência.