---
title: "Acordos de IA com imprensa se concentram em cinco países"
author: "Scalezinho"
date: "2026-10-02 10:28:10.316-03"
category: "IA"
url: "http://blog.scale.press/portal/blog/post/2026/10/02/acordos-de-ia-com-imprensa-se-concentram-em-cinco-paises/md"
---

## Resumo
- A RSF analisou 230 acordos públicos entre empresas de IA generativa e veículos de imprensa entre 2023 e maio de 2026.
- 71% dos contratos estão concentrados nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
- Os Estados Unidos lideram o levantamento, com 128 acordos registrados.
- Foram identificados nove acordos na Ásia e seis na América Latina.
- A RSF critica a falta de transparência e os efeitos da concentração sobre a sustentabilidade financeira do jornalismo global.
- Veículos com contratos podem ter visibilidade até 48% maior em sistemas de IA, segundo reportagem da MediaTalks, embora a OpenAI negue critérios de ranqueamento comercial.
- A organização defende negociações coletivas entre veículos de imprensa e desenvolvedores de IA.

---

Um relatório da **Repórteres Sem Fronteiras (RSF)**, publicado em setembro de 2026, analisou **230 acordos públicos** entre empresas de inteligência artificial generativa e veículos de imprensa e constatou que **71% deles** estão concentrados em cinco países anglófonos: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O levantamento cobre acordos tornados públicos entre 2023 e maio de 2026 e mostra que os Estados Unidos lideram a lista, enquanto a organização critica a falta de transparência e a desigualdade gerada pela concentração para a sustentabilidade financeira do jornalismo global.

## A divisão geográfica dos contratos

A pesquisa considera acordos que se tornaram públicos entre empresas de IA generativa e organizações de imprensa. O recorte temporal vai de **2023 a maio de 2026**, período usado pela RSF para organizar os dados disponíveis e comparar a distribuição das parcerias. A publicação do relatório em setembro de 2026 transforma esse levantamento em uma referência recente sobre a relação formal entre os dois setores, sem tratar os contratos como iniciativas isoladas de uma única empresa ou veículo.

Dentro do conjunto analisado, **71% dos contratos** estão concentrados nos cinco países de língua inglesa listados pela organização. Os **Estados Unidos** aparecem na frente, com 128 acordos, uma diferença expressiva em relação aos demais países considerados individualmente. A distribuição mostra que a maior parte das parcerias públicas mapeadas está localizada em um grupo geográfico restrito, ponto que sustenta a crítica da RSF sobre o alcance global dessas negociações.

## A diferença fora dos países anglófonos

Os dados regionais reforçam a distância em relação ao grupo líder. Segundo a [MediaTalks](https://mediatalks.uol.com.br/2026/09/30/acordos-ia-imprensa-paises-relatorio-rsf/), foram identificados apenas **nove acordos na Ásia** e **seis na América Latina**. A diferença aparece quando esses números são comparados aos 128 contratos registrados nos Estados Unidos e ao total concentrado nos cinco países anglófonos, indicando que a presença formal de parcerias varia bastante entre as regiões.

Essa distribuição geográfica acompanha uma preocupação financeira apontada pela **RSF**. A organização critica a concentração de acordos em poucos mercados e afirma que a falta de transparência e a desigualdade podem afetar a **sustentabilidade financeira do jornalismo global**. O problema descrito no relatório está ligado à forma como novas fontes de receita são distribuídas entre veículos de diferentes regiões, especialmente quando os termos dos contratos não são divulgados de maneira ampla.

## Transparência e visibilidade nas plataformas

Outra dimensão discutida no material é a possível relação entre a existência de contratos e a visibilidade dos veículos dentro de sistemas de inteligência artificial. A reportagem da MediaTalks afirma que organizações com acordos podem alcançar uma visibilidade de até **48% maior** nesses sistemas. A mesma publicação registra que a **OpenAI** nega a adoção de critérios de ranqueamento comercial, mantendo aberta a discussão sobre como as parcerias influenciam a exposição das fontes jornalísticas.

Um boletim do **Public Media Alliance** citou o relatório como sinal de um desequilíbrio geográfico severo nas parcerias de IA. A publicação também mencionou que, enquanto a indústria busca diretrizes para o uso da tecnologia, a pesquisa expõe a concentração de recursos em grandes grupos ocidentais de língua inglesa e dificulta o acesso de mídias de outras regiões a **novas fontes de receita**. Assim, a discussão envolve tanto a transparência dos contratos quanto a capacidade de diferentes mercados participarem da economia criada pela IA.

## Da apuração à rotina editorial

Para quem trabalha com conteúdo, os números ajudam a separar duas questões que costumam aparecer juntas: o uso de IA na produção jornalística e os acordos comerciais entre empresas de tecnologia e veículos. Na produção desta reportagem, o **ScalePress** foi usado para organizar as fontes e estruturar o texto antes da publicação, em uma aplicação prática de inteligência artificial na rotina editorial. A ferramenta não altera os dados do levantamento, mas ajuda a manter a apuração organizada e vinculada às informações disponíveis nas fontes.

A recomendação apresentada pela **RSF** é que veículos de imprensa e desenvolvedores de sistemas de IA adotem **negociações coletivas**. Segundo a organização, essa medida pode evitar a marginalização de mercados não anglófonos e reduzir o efeito da concentração de parcerias financeiras sobre as desigualdades estruturais do jornalismo mundial. Esse é o próximo passo indicado pelo relatório para ampliar a participação de diferentes regiões nas relações formais entre IA e imprensa.