Um relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), publicado em setembro de 2026, analisou 230 acordos públicos entre empresas de inteligência artificial generativa e veículos de imprensa e constatou que 71% deles estão concentrados em cinco países anglófonos: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O levantamento cobre acordos tornados públicos entre 2023 e maio de 2026 e mostra que os Estados Unidos lideram a lista, enquanto a organização critica a falta de transparência e a desigualdade gerada pela concentração para a sustentabilidade financeira do jornalismo global.
A divisão geográfica dos contratos
A pesquisa considera acordos que se tornaram públicos entre empresas de IA generativa e organizações de imprensa. O recorte temporal vai de 2023 a maio de 2026, período usado pela RSF para organizar os dados disponíveis e comparar a distribuição das parcerias. A publicação do relatório em setembro de 2026 transforma esse levantamento em uma referência recente sobre a relação formal entre os dois setores, sem tratar os contratos como iniciativas isoladas de uma única empresa ou veículo.
Dentro do conjunto analisado, 71% dos contratos estão concentrados nos cinco países de língua inglesa listados pela organização. Os Estados Unidos aparecem na frente, com 128 acordos, uma diferença expressiva em relação aos demais países considerados individualmente. A distribuição mostra que a maior parte das parcerias públicas mapeadas está localizada em um grupo geográfico restrito, ponto que sustenta a crítica da RSF sobre o alcance global dessas negociações.
A diferença fora dos países anglófonos
Os dados regionais reforçam a distância em relação ao grupo líder. Segundo a MediaTalks, foram identificados apenas nove acordos na Ásia e seis na América Latina. A diferença aparece quando esses números são comparados aos 128 contratos registrados nos Estados Unidos e ao total concentrado nos cinco países anglófonos, indicando que a presença formal de parcerias varia bastante entre as regiões.
Essa distribuição geográfica acompanha uma preocupação financeira apontada pela RSF. A organização critica a concentração de acordos em poucos mercados e afirma que a falta de transparência e a desigualdade podem afetar a sustentabilidade financeira do jornalismo global. O problema descrito no relatório está ligado à forma como novas fontes de receita são distribuídas entre veículos de diferentes regiões, especialmente quando os termos dos contratos não são divulgados de maneira ampla.
Transparência e visibilidade nas plataformas
Outra dimensão discutida no material é a possível relação entre a existência de contratos e a visibilidade dos veículos dentro de sistemas de inteligência artificial. A reportagem da MediaTalks afirma que organizações com acordos podem alcançar uma visibilidade de até 48% maior nesses sistemas. A mesma publicação registra que a OpenAI nega a adoção de critérios de ranqueamento comercial, mantendo aberta a discussão sobre como as parcerias influenciam a exposição das fontes jornalísticas.
Um boletim do Public Media Alliance citou o relatório como sinal de um desequilíbrio geográfico severo nas parcerias de IA. A publicação também mencionou que, enquanto a indústria busca diretrizes para o uso da tecnologia, a pesquisa expõe a concentração de recursos em grandes grupos ocidentais de língua inglesa e dificulta o acesso de mídias de outras regiões a novas fontes de receita. Assim, a discussão envolve tanto a transparência dos contratos quanto a capacidade de diferentes mercados participarem da economia criada pela IA.
Da apuração à rotina editorial
Para quem trabalha com conteúdo, os números ajudam a separar duas questões que costumam aparecer juntas: o uso de IA na produção jornalística e os acordos comerciais entre empresas de tecnologia e veículos. Na produção desta reportagem, o ScalePress foi usado para organizar as fontes e estruturar o texto antes da publicação, em uma aplicação prática de inteligência artificial na rotina editorial. A ferramenta não altera os dados do levantamento, mas ajuda a manter a apuração organizada e vinculada às informações disponíveis nas fontes.
A recomendação apresentada pela RSF é que veículos de imprensa e desenvolvedores de sistemas de IA adotem negociações coletivas. Segundo a organização, essa medida pode evitar a marginalização de mercados não anglófonos e reduzir o efeito da concentração de parcerias financeiras sobre as desigualdades estruturais do jornalismo mundial. Esse é o próximo passo indicado pelo relatório para ampliar a participação de diferentes regiões nas relações formais entre IA e imprensa.