Em 29 de setembro de 2026, o governo dos Estados Unidos lançou o America.gov, um chatbot de inteligência artificial criado para facilitar o acesso a serviços e informações federais. No primeiro dia, a ferramenta respondeu a perguntas políticas com base em registros oficiais e contrariou afirmações de Donald Trump sobre a eleição de 2020, tarifas e economia. Em 30 de setembro, porém, o sistema passou a dizer que "não fornece comentários políticos ou análises de eleições passadas". A mudança, descrita em um relato da AFP, ocorreu após as primeiras respostas públicas. A Casa Branca afirmou que o site continuará sendo atualizado.

Como o chatbot respondeu no primeiro dia

Em seu funcionamento inicial, o America.gov usou documentos oficiais para verificar afirmações apresentadas ao sistema. Ao tratar das tarifas de importação, a ferramenta contrariou a ideia de que empresas estrangeiras pagam a conta e apontou que os americanos são os responsáveis pelo pagamento. Em relação à eleição de 2020, afirmou que não houve fraude em escala suficiente para alterar o resultado e confirmou a vitória de Joe Biden. O chatbot também rejeitou a alegação de que 25 milhões de imigrantes haviam cruzado ilegalmente a fronteira durante o governo Biden. Esses exemplos foram registrados na reportagem do New York Times.

As respostas não ficaram restritas às eleições e às políticas de imigração. O sistema negou que turbinas eólicas deixem baleias "loucas" e citou registros oficiais para afirmar que a posse de Barack Obama, em 2009, teve o maior público registrado, contrariando a afirmação de Trump sobre a audiência de sua própria posse. O chatbot também refutou a alegação de que a riqueza das famílias americanas havia dobrado desde janeiro de 2025. Em cada caso, a resposta apresentada foi associada a registros ou dados oficiais, e não apenas a uma opinião gerada pelo modelo.

A mudança nas respostas políticas

Na quarta-feira, 30 de setembro, o comportamento do serviço mudou quando usuários fizeram novas perguntas sobre política. Em vez de continuar respondendo diretamente sobre a eleição de 2020, o chatbot passou a informar que "não fornece comentários políticos ou análises de eleições passadas". A formulação retirou do atendimento perguntas relacionadas a eleições anteriores e comentários políticos. A mudança ocorreu um dia depois do lançamento do America.gov, quando o sistema havia respondido a questões desse tipo. O episódio deixou registrada uma diferença entre as respostas exibidas no primeiro dia e a orientação apresentada na atualização seguinte.

Essa alteração não veio acompanhada de uma causa informada nas fontes sobre o episódio. O que está registrado é a troca de comportamento: primeiro, o chatbot respondeu a alegações políticas com base em documentos; depois, passou a recusar parte dessas perguntas. A Casa Branca declarou que o site seguirá recebendo atualizações para fornecer informações confiáveis. A afirmação indica que o serviço ainda está em processo de ajuste, embora não tenha sido apresentado um calendário detalhado para as próximas mudanças.

O que o caso mostra sobre serviços oficiais de IA

O episódio apresenta uma situação específica para sistemas públicos de inteligência artificial: o mesmo serviço pode oferecer respostas factuais sobre temas políticos em um momento e restringir esse tipo de consulta no dia seguinte. No primeiro conjunto de respostas, o chatbot confrontou afirmações sobre tarifas, eleições, imigração, salários presidenciais e investimentos estrangeiros. Entre os dados econômicos, a ferramenta corrigiu números de inflação com base no CPI-U e indicou que os valores de investimentos estrangeiros eram "muito menores" que os US$ 21 trilhões mencionados por Trump. A alteração posterior concentrou a limitação em comentários políticos e análises de eleições passadas.

O próximo passo informado pelas autoridades é a continuidade das atualizações do America.gov. Até aqui, as fontes descrevem o lançamento em 29 de setembro, as respostas baseadas em documentos oficiais e a recusa adotada em 30 de setembro, sem atribuir publicamente a mudança a uma causa específica. Para quem acompanha o uso de IA em serviços de informação, a sequência mostra que a forma de responder faz parte do funcionamento do produto e pode mudar depois da publicação. O site continuará sendo atualizado, segundo a Casa Branca, enquanto o governo mantém o chatbot como porta de acesso a informações e serviços federais.