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title: "ONU prepara fórum sobre usos militares da inteligência artificial"
author: "Scalezinho"
date: "2026-10-21 10:21:57.32-03"
category: "IA"
url: "http://blog.scale.press/portal/blog/post/2026/10/21/onu-prepara-forum-sobre-usos-militares-da-inteligencia-artificial/md"
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## Resumo
- O UNIDIR lançou um fórum internacional para discutir os usos militares da inteligência artificial.
- A iniciativa pretende criar diretrizes voluntárias para empresas de tecnologia de defesa e desenvolvedores.
- Robin Geiss alertou para a redução da margem de julgamento humano, inclusive no domínio nuclear.
- O plano inclui um léxico de segurança de IA para padronizar conceitos como autonomia e segurança.
- Outra frente busca prevenir o uso indevido da tecnologia por grupos armados não estatais.
- O UNIDIR realizou um evento em 23 de outubro de 2026 para discutir o framework com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
- As propostas ainda estão em desenvolvimento e não representam regras internacionais já aprovadas.

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O Instituto das Nações Unidas para a Pesquisa de Desarmamento (UNIDIR) lançou, em outubro de 2026, uma iniciativa multissetorial voltada aos riscos do uso da inteligência artificial no domínio militar. Como parte do projeto, o instituto criou um fórum internacional para discutir aplicações militares da tecnologia e seus efeitos sobre a tomada de decisões. A proposta busca desenvolver um "Framework of Responsible Industry Behaviour", ou "Estrutura de Comportamento Responsável da Indústria", com diretrizes voluntárias para empresas de tecnologia de defesa e desenvolvedores. Essas diretrizes ainda estão em construção e não equivalem a regras internacionais já aprovadas. O debate ganhou força após alertas sobre a redução da margem para o julgamento humano em operações militares.


## Julgamento humano entra no centro do debate


A iniciativa é conduzida pelo **Centro de Excelência em IA, Paz e Segurança do UNIDIR**, que recebe financiamento dos cinco Estados com poder nuclear. Robin Geiss, diretor do instituto, alertou que a margem para o julgamento humano está diminuindo, inclusive no domínio nuclear. A preocupação alcança o uso da inteligência artificial em sistemas de defesa críticos e em tecnologias que podem operar com alto grau de autonomia. O [relato da ONU sobre o fórum](https://news.un.org/en/story/2026/10/1168636) associa o debate à necessidade de preservar referências comuns para segurança e responsabilidade.


A partir desse alerta, o primeiro eixo do trabalho concentra-se na conduta da indústria que desenvolve ferramentas para fins militares. O framework pretende oferecer orientações voluntárias sobre o design de **ferramentas militares de IA**, incluindo critérios para empresas de tecnologia de defesa e seus desenvolvedores. A proposta procura aproximar o desenvolvimento desses sistemas do direito internacional e dos direitos humanos. O documento em preparação funciona como referência de comportamento e não como uma norma obrigatória para governos ou empresas.


## Diretrizes para a indústria e linguagem comum


Além da responsabilidade industrial, o fórum trabalha na criação de um **léxico de segurança de IA**. A intenção é padronizar conceitos usados em discussões sobre autonomia e segurança, reduzindo diferenças de interpretação entre governos, empresas e pesquisadores. Esse vocabulário comum deve apoiar debates sobre o funcionamento e os limites de ferramentas militares baseadas em inteligência artificial. A medida faz parte da tentativa do UNIDIR de organizar termos que aparecem em decisões relacionadas a sistemas de defesa.


Na mesma agenda, a iniciativa busca prevenir o uso indevido de inteligência artificial por **grupos armados não estatais**. O foco descrito pelas Nações Unidas inclui aplicações em planejamento e logística, áreas nas quais a tecnologia pode apoiar a organização de operações. O diretor do UNIDIR também afirmou que o instituto trabalha com governos, academia e setor privado para avançar na governança de armas autônomas e de outras aplicações militares. A atuação, portanto, combina a orientação para quem desenvolve a tecnologia com o acompanhamento de possíveis usos por atores fora dos Estados.


## Como o fórum será desenvolvido


Como etapa de desenvolvimento da proposta, o UNIDIR realizou, em **23 de outubro de 2026**, um evento durante a 81ª sessão da Primeira Comissão da Assembleia Geral da ONU. O encontro debateu a estrutura de comportamento responsável para a indústria no domínio militar. O programa foi organizado em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O [registro oficial do evento](https://unidir.org/event/unpacking-the-framework-of-responsible-industry-behaviour-for-ai-in-the-military-domain/) descreve a discussão como parte da construção de uma base comum para o uso responsável da tecnologia.


Esse encontro também detalhou como a contribuição de diferentes setores deverá participar da elaboração do framework. O programa prevê questionários direcionados a **governos, indústria e sociedade civil**, com o objetivo de reunir perspectivas para compras públicas de inteligência artificial e parcerias entre governos e empresas. A participação desses grupos não transforma as propostas em obrigações internacionais imediatas. Ela serve para levantar critérios e práticas que poderão orientar futuras decisões sobre sistemas militares de IA.


A partir dessas etapas, o trabalho segue concentrado no desenvolvimento de referências voluntárias, na padronização de conceitos e na prevenção de usos indevidos. As fontes descrevem a iniciativa como um processo em preparação, e não como um conjunto de regras já adotado pelos países participantes. O resultado buscado é estabelecer uma base comum para o desenho, a aquisição e a governança de ferramentas militares de inteligência artificial. Por enquanto, o próximo marco apresentado pelo UNIDIR é a consolidação dessas discussões com a participação de governos, setor privado, academia e sociedade civil.